Moradores de Tarluvada, vila de Andhra Pradesh incluída no polo de IA planejado pelo Google perto de Visakhapatnam, disseram ao The Guardian que perderam terras que cultivavam e que as áreas de reposição e os empregos prometidos não chegaram. O estado nega ter tomado terras à força. A disputa diz respeito a um projeto apresentado publicamente como um polo de 1 GW, enquanto três autorizações ambientais estaduais descrevem propostas de centros de dados cuja capacidade total é de 2.512 MW, ou cerca de 2,51 GW.

A grande mudança

  • O que mudou: O polo do Google em Visakhapatnam foi apresentado em um comunicado do governo central de 2025 como um projeto de 1 GW. Autorizações estaduais separadas, emitidas em 2026, descrevem três locais propostos com capacidade total de 2,51 GW. Esse é o porte indicado nos pedidos, não uma prova de demanda em operação.
  • Por que isso importa: O conjunto maior de propostas abrange terras em Tarluvada e em outros dois locais. Os relatos de moradores sobre a perda de acesso a áreas de cultivo tornam os termos da transferência de terras, a indenização e a consulta local relevantes para avaliar o projeto.
  • O que acompanhar: As contestações às autorizações e a versão do estado sobre como as terras foram obtidas continuam no centro da disputa. Os documentos autorizam construções propostas; as divergências noticiadas sobre o processo e as promessas continuam sem solução nos registros consultados aqui.

Três autorizações, três locais propostos

Um comunicado de outubro de 2025 do Departamento de Informação à Imprensa da Índia descreveu a instalação planejada do Google como um centro de dados hiperescalável de 1 GW. O anúncio da parceria entre Google e Adani descreveu um investimento de cerca de US$ 15 bilhões ao longo de cinco anos, incluindo operações de centros de dados, conectividade submarina e infraestrutura de energia limpa. O projeto de computação foi descrito como de “escala de gigawatts”, sem detalhar um total por local.

As autorizações ambientais posteriores descrevem 1.000 MW em Tarluvada, 1.000 MW em Rambilli e 512 MW em Adavivaram–Mudasarlova. As duas primeiras foram emitidas em 18 de abril de 2026, após pedidos apresentados em 9 de abril. A terceira foi emitida em 10 de junho. A soma das capacidades propostas é 2.512 MW. Os documentos são autorizações separadas para cada local, e esse total não mostra quanta capacidade o Google contratou, construiu ou colocou em operação.

As autorizações classificam os projetos como obras de edificação ou construção da Categoria B2, segundo o item 8(a) das regras de avaliação ambiental da Índia. O Human Rights Forum, que contestou as autorizações, argumenta que essa categoria dispensou uma avaliação completa de impacto ambiental e uma audiência pública prevista em lei. A classificação está documentada; sua adequação é contestada. O Guardian informa que há três petições no Tribunal Verde Nacional e um processo separado no Tribunal Superior de Andhra Pradesh. Não verificamos diretamente os autos do tribunal nem seus desfechos.

Destinação das terras e relatos dos moradores

Uma ordem do governo de Andhra Pradesh, datada de 20 de agosto, diz que o estado destinou 266,6 acres em Tarluvada à Vizag Mega Data Center Park Limited, uma das três empresas do projeto que o documento identifica como subsidiárias da Adani Infra (India). A ordem também chama a Adani Infra de parceira da Raiden Infotech na construção do centro de dados para o Google. O documento comprova a destinação de terras à empresa do projeto; não esclarece como os direitos fundiários de cada morador foram avaliados ou indenizados.

Nas entrevistas do Guardian, T Applaraju disse que sua família perdeu o acesso a terras que lhe haviam sido destinadas anos antes, depois da instalação de cercas em abril. O jornal informa que terras destinadas a 520 famílias de Tarluvada foram retomadas. P Venkat Rao, agricultor dalit que recebeu indenização, disse que sofreu pressão para entregar seu acre e não recebeu as terras de reposição nem o emprego para um familiar que, segundo ele, autoridades haviam prometido. São relatos de moradores publicados pelo Guardian, não conclusões judiciais nem dados de registros fundiários verificados de forma independente.

O governo de Andhra Pradesh disse ao Guardian que nenhuma terra foi tomada à força e que as pessoas elegíveis receberam uma indenização generosa. A Adani afirmou que as aprovações legais necessárias haviam sido obtidas. O Google disse ao jornal que manteve diálogo profundo com as comunidades e que não esperava impacto local. Essas respostas abordam partes diferentes da disputa; os registros públicos consultados aqui não resolvem as alegações individuais sobre avisos, pressão ou promessas pendentes.

Preocupações com água e energia ainda são previsões

Moradores e ativistas ouvidos pelo Guardian manifestaram preocupação com água, calor, florestas e eletricidade. O Google disse ao jornal que o projeto usaria refrigeração a ar, em vez de refrigeração a água, e não afetaria o abastecimento local de água potável. O comunicado da parceria prometeu nova geração de energia limpa e infraestrutura de transmissão. São planos e garantias da empresa, não resultados medidos em um campus em operação. Os números de capacidade das autorizações, por si só, não estabelecem o consumo real de eletricidade nem os efeitos ambientais.

Fontes e leituras complementares