Representantes da Anthropic apresentaram a legisladores dos EUA um anteprojeto de lei sobre segurança e proteção da IA de fronteira, noticiou a Reuters em 16 de outubro de 2026, citando uma reportagem do Politico baseada em três pessoas conhecedoras da iniciativa. O anteprojeto circulou em privado. O seu texto não estava disponível para este artigo, pelo que não é possível confrontar as disposições noticiadas com o próprio documento. A apresentação descrita não equivale a um projeto de lei formalmente apresentado nem a uma lei aprovada.
A grande mudança
- O que mudou: Depois de publicar um quadro de políticas em junho, a Anthropic está a apresentar a legisladores um anteprojeto privado que, segundo a Reuters, contém um critério para travar modelos de fronteira perigosos. O critério e a redação do anteprojeto ainda não foram verificados a partir do documento.
- Porque importa: A proposta noticiada atribui funções distintas a avaliadores independentes, ao Departamento do Comércio e a um juiz federal. Restringiria a suspensão de um modelo a danos catastróficos específicos e iminentes, tornando a definição precisa desses danos relevante para os criadores de modelos e para o público.
- O que acompanhar: A divulgação de um anteprojeto ou a apresentação formal de um projeto de lei mostraria se os limiares de danos noticiados, o papel do Comércio e os limites a outras agências se mantêm no texto legislativo efetivo. Mostraria também que partes do quadro mais amplo da Anthropic de junho são incluídas.
O anteprojeto noticiado estabelece condições para o Governo poder travar um modelo. Segundo o relato da Reuters sobre a reportagem do Politico, só permitiria bloquear o lançamento ou a utilização se o modelo representasse um risco previsível e iminente de danos superiores a 1 000 milhões de dólares ou de matar ou ferir gravemente mais de 50 pessoas. A Reuters indicou que o risco teria de resultar da criação ou libertação de uma arma biológica, de um modelo escapar ao controlo do seu criador ou de um ciberataque. Estes valores descrevem o critério de intervenção noticiado.
Como funcionaria o projeto de lei noticiado
A reportagem da Reuters afirma que os avaliadores independentes se registariam no Departamento do Comércio e avaliariam periodicamente um laboratório de IA e os seus modelos de fronteira. Um laboratório poderia pagar ao seu avaliador desde que o pagamento não dependesse do resultado. Se um avaliador identificasse o que a reportagem chama um «risco enumerado iminente», teria 72 horas após concluir a avaliação para notificar o Comércio.
O Comércio poderia então pedir a um juiz que suspendesse um modelo depois de identificar um risco, segundo o relato da Reuters sobre o anteprojeto noticiado. A Reuters afirma que a redação proposta impediria outros departamentos, agências e responsáveis dos EUA de suspender o desenvolvimento, a implementação ou a utilização interna de um modelo. Um juiz federal do Tribunal Distrital para o Distrito de Colúmbia poderia ordenar uma suspensão. Sem o texto do anteprojeto, as definições, os procedimentos e o alcance exatos desses limites continuam por verificar.
Um porta-voz da Anthropic disse à Reuters que o projeto de lei representa propostas do Advanced AI Framework da empresa, publicado em junho de 2026. O porta-voz afirmou que a proposta permitiria ao Governo bloquear ou dissuadir implementações perigosas dos modelos mais poderosos e exigiria aos criadores que testassem os modelos de fronteira, divulgassem as conclusões e obtivessem avaliações independentes. A Reuters indicou que o Departamento do Comércio não respondeu de imediato ao seu pedido de comentário.
O que diz realmente o quadro público da Anthropic
O quadro de junho, com 19 páginas, propõe obrigações para grandes criadores de modelos de fronteira. O critério sugerido para definir os criadores abrangidos tem duas partes: um modelo que exija mais de 10^25 FLOP de treino e, adicionalmente, receitas anuais provenientes da IA superiores a 500 milhões de dólares ou despesas anuais em investigação e desenvolvimento de IA superiores a 1 000 milhões de dólares. O valor de despesa de 1 000 milhões de dólares neste documento público diz respeito aos criadores que ficariam abrangidos. É distinto do valor de danos de 1 000 milhões de dólares atribuído ao anteprojeto privado.
O quadro pede aos criadores abrangidos que avaliem armas biológicas, operações cibernéticas ofensivas, perda de controlo e investigação e desenvolvimento automatizados que possam amplificar esses riscos. Apela à publicação de quadros de segurança e fichas de sistema, a relatórios de risco pelo menos de seis em seis meses e à comunicação de incidentes críticos de segurança a uma agência designada no prazo de 15 dias após a descoberta. Propõe acesso regular aos modelos e a relatórios de risco sem supressões para avaliadores independentes qualificados, com publicação das suas análises e salvaguardas contra conflitos de interesses.
Quanto à aplicação, o quadro propõe sanções por declarações falsas e por incumprimento das obrigações de avaliar, publicar ou comunicar. Apresenta várias formas possíveis de travar implementações inseguras, incluindo uma agência requerer uma ordem judicial, em vez de prescrever uma solução final única. A discussão da ação governamental inclui salvaguardas contra uma discricionariedade ampla e uma via de revisão judicial. O documento recomenda ainda investimentos em resiliência biológica e cibernética para além das obrigações dos criadores. O relato da Reuters não permite determinar quais dessas recomendações, se alguma, constam do anteprojeto que circulou.
A redação precisa do anteprojeto, a existência de um legislador proponente e o tratamento de questões como a legislação dos estados continuam desconhecidos a partir das fontes aqui disponíveis. O quadro de junho da Anthropic defende limites estritos à prevalência do direito federal sobre a legislação dos estados num regime federal rigoroso, mas a Reuters não estabelece a posição do anteprojeto nessa matéria.
Fontes e leituras adicionais
- Reuters, «Anthropic apresenta discretamente aos legisladores o seu próprio projeto de lei de segurança da IA, noticia o Politico» (16 de outubro de 2026). Relata a versão do Politico, baseada em três pessoas, sobre os limiares, a função do avaliador e o processo judicial do anteprojeto que circulou em privado; inclui a resposta da Anthropic e assinala que o Comércio não respondeu de imediato. A Reuters não fornece o texto do anteprojeto.
- Anthropic, Advanced AI Framework (junho de 2026). Documento público primário sobre a abrangência proposta pela Anthropic para criadores, as avaliações, as divulgações, as opções de aplicação e as medidas de resiliência. Não autentica a redação do anteprojeto privado noticiado.



