Carolyn Marvin colocou-se no caminho de um robô de entregas da Uber Eats num passeio de Center City, em Filadélfia, a 14 de outubro. A polícia deteve-a depois de se recusar a cumprir as instruções dos agentes para se afastar, segundo dois meios locais. Marvin diz que protestava contra a utilização de robôs para trabalho feito por estafetas humanos. O encontro coloca duas questões distintas: por que interveio a polícia nesse dia e o que exige a Pensilvânia às empresas autorizadas a operar dispositivos de entrega em vias públicas.

A grande mudança

  • O que mudou: A Avride está autorizada a operar robôs de entregas em Filadélfia em parceria com a Uber Eats. As regras da Fase 2 da Pensilvânia permitem deslocação autónoma ou remota, exigindo monitorização remota e capacidade de assumir o controlo quando necessário. A entrega por robôs numa via pública é uma operação comercial supervisionada.
  • Porque importa: Os utilizadores dos passeios e os trabalhadores de entregas encontram agora essa operação num espaço público partilhado. O estado exige que os dispositivos cedam passagem aos peões nas zonas pedonais; a detenção chamou a atenção para o encontro entre um protesto contra o serviço e uma rota de entregas ativa.
  • O que acompanhar: Marvin diz que vai contestar a notificação por perturbação da ordem pública. Qualquer decisão judicial incidiria sobre o seu caso. A autorização da PennDOT ao operador estabelece o enquadramento dos robôs, mas o material público analisado não mostra como o dispositivo ou um operador remoto reagiu durante este encontro.

O que aconteceu na Filbert Street

A polícia de Filadélfia disse à WPVI que os agentes responderam a uma ocorrência de perturbação envolvendo Marvin e um robô de entregas da Uber no quarteirão do número 1200 da Filbert Street, perto do Reading Terminal Market. A polícia disse que ela bloqueou repetidamente a trajetória do robô e ignorou várias ordens para se afastar. A WPVI descreveu uma detenção e uma acusação por perturbação da ordem pública; a PhillyVoice, que também falou com a polícia, noticiou que os agentes emitiram uma notificação de infração criminal por perturbação da ordem pública. A KYW Newsradio noticiou a 18 de outubro que Marvin tinha sido libertada com uma notificação.

Marvin disse aos meios de comunicação que se coloca à frente dos robôs de entregas para protestar contra aquilo que considera ser a substituição de trabalhadores humanos de entregas. Defende que a sua conduta é um protesto público protegido e disse à PhillyVoice que pretende contestar a notificação. São as suas opiniões e a resposta jurídica que tenciona dar, não uma conclusão sobre efeitos no emprego ou sobre a legalidade deste incidente. As notícias analisadas para este artigo não estabelecem qualquer decisão judicial final.

O que permite a Pensilvânia aos operadores

A atual página da PennDOT sobre dispositivos pessoais de entrega identifica a Avride, em parceria com a Uber Eats, como operador de Fase 2 autorizado em Filadélfia a 23 de setembro de 2026. Identifica também a Pinkbot como outro operador de Fase 2 na cidade. Um robô da Uber Eats nas notícias locais enquadra-se na parceria que a PennDOT refere, embora as notícias não estabeleçam o registo operacional desse dispositivo específico.

A Pensilvânia define um dispositivo pessoal de entrega como um transportador terrestre de mercadorias cujo sistema de condução permite operação autónoma e/ou remota. A PennDOT diz que estes dispositivos são classificados como peões no código dos veículos, mas devem ceder passagem a todos os peões e ciclistas nas zonas pedonais. O estado permite a sua utilização nessas zonas, incluindo passeios, sujeita às suas condições de operação.

A Fase 2 permite condução autónoma ou remota sem a exigência da Fase 1 de que um operador permaneça a uma distância máxima de 30 pés do dispositivo e mantenha contacto visual. Continua a exigir monitorização remota e, quando necessário, controlo remoto ou intervenção para assumir o comando. A Avride descreve o seu robô de entregas como autónomo e diz que utiliza tecnologia de condução autónoma adaptada à circulação em caminhos pedonais. Essa é a descrição do produto feita pela empresa. Nem ela nem a autorização estadual permitem saber se um operador remoto interveio na Filbert Street, o que o robô detetou ou se cumpriu todos os requisitos durante o confronto.

A detenção dizia respeito à alegada recusa de Marvin em seguir instruções policiais, segundo a versão da polícia publicada localmente. As regras estaduais dos dispositivos de entrega descrevem os deveres do operador. Nenhum desses conjuntos de factos, por si só, resolve a alegação de Marvin sobre o direito de protestar nem mede o efeito das entregas robóticas no emprego dos estafetas.

Fontes e leituras adicionais