Uma subcomissão do Comitê Judiciário do Senado examinou, em 23 de setembro, a rede da Flock Safety de leitores automáticos de placas de veículos, ouvindo depoimentos sobre uma prisão indevida, históricos de circulação consultáveis e a segurança das câmeras. As testemunhas divergiram sobre as soluções. A audiência não alterou nenhuma lei nem política para as câmeras.
A grande mudança
- O que mudou: Senadores registraram publicamente os usos e as salvaguardas de uma grande rede pesquisável de câmeras veiculares. As câmeras registram a passagem de um carro em determinado local e horário; softwares podem combinar esses registros de vários lugares para reconstituir deslocamentos.
- Por que isso importa: As evidências fornecidas por uma câmera podem influenciar uma investigação, enquanto buscas nos registros armazenados podem revelar deslocamentos muito além de uma única abordagem de trânsito. O depoimento de Lindsey Isaacs mostra o custo de tratar um registro de câmera como prova mais conclusiva do que realmente era.
- O que observar: O Congresso analisa propostas divergentes, desde a exigência de mandado para consultar registros antigos de localização até a proibição de usar recursos federais em operações policiais com leitores de placas. Nenhuma das propostas virou lei nessa audiência. Autoridades locais também podem examinar suas próprias regras de acesso, compartilhamento, retenção e auditoria.
O registro de uma câmera contribuiu para uma prisão indevida
Em seu depoimento por escrito ao Senado, a moradora da Flórida Lindsey Isaacs disse que investigadores descobriram que uma câmera da Flock havia fotografado seu Dodge Durango entre três e cinco quilômetros a oeste do local de um acidente fatal, em outubro de 2025. Segundo ela, testemunhas haviam descrito um Durango vinho e informado parte da placa, mas os investigadores continuaram concentrados em seu veículo. Ela foi presa em abril de 2026, passou 13 dias na cadeia e foi solta depois que seu advogado apresentou fotos mostrando que o carro apreendido não tinha os danos da colisão alegados pelos investigadores. De acordo com o depoimento, o estado decidiu em maio não processá-la, e a investigação resultou em acusações contra outra pessoa.
O registro da câmera situou o veículo de Isaacs perto da cena. O relato dela não comprova que o sistema tenha lido a placa incorretamente ou identificado o veículo envolvido no acidente. A falha grave que ela descreve foi a forma como a investigação tratou esse registro diante de evidências conflitantes. A reportagem da Roll Call sobre a audiência também descreve o caso como uma acusação indevida baseada em uma imagem capturada longe do local do acidente.
A rede torna pesquisáveis os deslocamentos anteriores
Um leitor automático de placas registra a imagem, o local e o horário de um veículo. Em depoimento ao Institute for Justice, o consultor legislativo Alasdair Whitney disse que o software da Flock também permite buscas por características dos veículos e consultas aos locais onde um carro foi registrado em jurisdições participantes. Essas capacidades são centrais ao argumento dele de que uma rede de câmeras cria um histórico de localização, embora cada câmera registre apenas um instante.
A página da audiência no Senado lista cinco testemunhas: Isaacs, Whitney, o xerife do condado de Pinal, Ross Teeple, o engenheiro de segurança cibernética Benn Jordan e o consultor da ACLU Chad Marlow. Teeple disse à comissão que seu gabinete encerrou o contrato com a Flock, embora defendesse que leitores de placas usados apenas em consultas imediatas podem ajudar a polícia a localizar carros roubados e pessoas desaparecidas. Jordan descreveu falhas de segurança que afirma ter encontrado e pediu testes independentes dos fornecedores de vigilância. Seu depoimento é o relato de um pesquisador sobre vulnerabilidades, não uma conclusão da comissão sobre a segurança atual de todos os dispositivos.
Em agosto, a Flock anunciou mudanças, entre elas um prazo padrão de retenção de sete dias, assistência obrigatória em auditorias e autenticação multifator. Em sua explicação de setembro, a empresa diz que o novo prazo de retenção vale para novos clientes de segurança pública; os órgãos podem ter configurações diferentes, e os clientes privados mantêm as condições atuais. Essas são descrições da empresa sobre seus controles. A audiência não comprovou se eles evitam o uso indevido ou respondem às preocupações das testemunhas.
Testemunhas propuseram regras federais diferentes
Whitney anexou ao depoimento uma proposta de lei que, em geral, exigiria mandado antes de autoridades acessarem registros de localização com mais de duas horas. Ela também limitaria o compartilhamento e a retenção, mantendo exceções para emergências e dados recentes. O depoimento da ACLU de Marlow defendeu uma proibição mais ampla: impedir o uso de recursos federais por órgãos policiais que utilizem leitores automáticos de placas. Teeple pediu limites legais, mas defendeu usos policiais mais restritos. Jordan pediu inspeções independentes de segurança e uma lei federal de privacidade.
O presidente da subcomissão, Josh Hawley, convidou os diretores-executivos da Flock, Axon, Motorola Solutions e Verkada. Nenhum deles consta na lista de testemunhas da comissão. A lista pública e o convite não esclarecem por que não depuseram. A audiência ofereceu aos senadores relatos e propostas de políticas para avaliar; não aprovou uma exigência de mandado, não proibiu leitores de placas nem alterou as regras de operação da Flock.



