Segundo o painel LSEG I/B/E/S de 9 de outubro, analistas esperam que os lucros das empresas do S&P 500 cresçam 30,6% em termos anuais no terceiro trimestre. Para as empresas de tecnologia, a previsão é de alta de 66,5%. Naquele momento, apenas 19 das 500 empresas do índice haviam divulgado resultados, então a taxa de crescimento em destaque ainda era, em sua maior parte, uma estimativa.
The big change
- O que mudou: O retrato da LSEG em 9 de outubro coloca o crescimento combinado dos lucros do S&P 500 no terceiro trimestre em 30,6%, com previsão de 66,5% para tecnologia.
- Por que isso importa: A Reuters informou que a LSEG atribuiu cerca de dois terços do crescimento esperado do índice a tecnologia e às gigantes ligadas à IA Alphabet, Amazon e Meta. A estimativa concentra os ganhos esperados da temporada em uma parcela estreita do mercado.
- O que acompanhar: À medida que as empresas divulgarem resultados, compare os números efetivos com as estimativas e observe se o crescimento se estende para além de tecnologia e fabricantes de semicondutores. O retrato não mostra que a IA causou os ganhos projetados.
O quadro de resultados olha principalmente para o futuro
O painel da LSEG se baseia em lucros históricos da I/B/E/S e estimativas de analistas. Ele classifica o número de 30,6% como “combinado”, reunindo resultados divulgados e estimativas para empresas que ainda não haviam reportado. O quadro lista 19 empresas com resultados divulgados entre 500, ou 3,8% do índice. Entre essas 19 primeiras a reportar, 84,2% superaram as estimativas de lucro e 10,5% ficaram abaixo. Esses percentuais descrevem as primeiras empresas a reportar, não o índice como um todo.
A diferença entre essa pequena amostra e o total combinado importa. No corte de 9 de outubro, o resultado do índice baseado apenas nas empresas que haviam reportado ainda não mostrava um quadro definitivo do trimestre. O número de 30,6% dependia de previsões de analistas para a maioria das empresas e podia mudar à medida que os resultados fossem divulgados e as estimativas revisadas.
Tecnologia se destaca na previsão
O painel da LSEG mostra crescimento combinado de 66,5% nos lucros de tecnologia. Serviços de comunicação, um setor distinto do S&P 500 que inclui empresas como Alphabet e Meta, estava em 47,8%. Energia estava em 123%, mas partindo de outra base de lucros e diante de condições de mercado diferentes. São taxas de crescimento setoriais, não estimativas da participação de cada setor no crescimento total em dólares.
A Reuters, citando Tajinder Dhillon, chefe de pesquisa de lucros da LSEG, informou que cerca de dois terços do aumento esperado do índice vinham de tecnologia e das gigantes ligadas à IA Alphabet, Amazon e Meta. A Reuters também noticiou uma alta anual estimada de 136% nos lucros das empresas de semicondutores dos EUA, abaixo da estimativa de 158% no segundo trimestre. Esse número é uma previsão, não um resultado divulgado, e a reportagem não estabelece que a demanda por IA, sozinha, o explique.
Os números setoriais e a atribuição da Reuters descrevem a concentração por ângulos diferentes. A taxa de crescimento de um setor compara seus lucros com os do mesmo trimestre do ano anterior. A contribuição para o crescimento do índice depende do tamanho dos lucros das empresas nos dois períodos; por isso, uma base menor que cresce rapidamente não necessariamente acrescenta mais dólares que uma base maior com crescimento mais lento. A estimativa de dois terços da Reuters é uma atribuição; o painel principal, sozinho, não traz detalhes suficientes para reproduzir esse cálculo de forma independente.
O crescimento ainda depende da execução
A estimativa deixa em aberto se as empresas converterão gastos com IA em lucros duradouros. A Reuters informou que estrategistas acompanhavam as altas expectativas em torno da continuidade dos investimentos de capital e que as revisões das estimativas começavam a esfriar. Os próximos balanços podem mostrar receitas ligadas a serviços e infraestrutura de IA, custos de expansão da capacidade e se a demanda esperada aparece nos resultados.
A avaliação também importa. Uma previsão forte de lucros, por si só, não mostra se os preços das ações já refletem esse crescimento nem se os retornos virão depois. Este é um relato sobre as expectativas dos analistas e sua concentração.
Para leitores fora do mercado, o sinal útil é mais restrito: a temporada de balanços começa com uma previsão excepcionalmente desigual. Os resultados finais mostrarão se essa força projetada se concretiza e quanto vem das empresas mais associadas ao investimento em IA.



